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Coruja

 

Coruja: De má sorte a símbolo de sabedoria

O sucesso do filme “Harry Potter” gerou aumento na procura de corujas como bicho de estimação, principalmente nos Estados Unidos, já que o personagem principal tem um exemplar como animal de companhia. Porém, por ser um espécime da noite, a coruja sempre esteve associada à má sorte. ”Na Idade Média eram, além desses preconceitos, símbolos de feiúra e roubo. Mas foi durante a Antigüidade Clássica que os gregos viram seu real valor, dando-lhes o título de ave símbolo de Atena, a deusa da Sabedoria”, explica Antonietta Ficucella, bióloga da Amazon Zoo, loja especializada em animais silvestres e exóticos, em São Paulo.

Tímidas e discretas, quando criadas desde o nascimento em cativeiros, as corujas se adaptam muito bem aos seres humanos. No Brasil só é possível adquirir  corujas legalizadas junto ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). “A ave vem com uma anilha (pequena argola) e um número de registro. Isso prova que o animal é legalizado e não tem origem do tráfico. A espécie que se encontra normalmente a venda é a Tyto Alba, conhecida como coruja da igreja”, revela Thiago Rodrigo Salvador, médico veterinário especializado em clínica médica e cirúrgica de animais silvestres e exóticos do Breeds Pet Shop, em São Paulo.

Com cabeça grande, devido à plumagem volumosa, as corujas são aves de médio porte. Medem de 30 a 45 cm quando adultas, e seu peso varia de 250 a 700 gramas. As fêmeas são geralmente 25% maiores que os machos.  A coloração de suas penas vai do branco amarelado até o preto, passando pelo cinza, castanho claro e escuro. “Acredita-se que essas cores ajudam a ave a se esconder e se prevenir de predadores (mimetismo)”, explica Antonietta. Possuem grandes olhos frontais cônicos com excelente visão, tanto diurna quanto noturna. “As linhas lacrimais seguem dos olhos até o bico, que tem forma de gancho. O pescoço tem área de "giro" de 270° para compensar o fato de seus olhos serem imóveis. A cauda é utilizada como estabilizador durante o bote. As pernas longas e poderosas amortecem o impacto das aterrissagens. Os ouvidos assimétricos permitem localizar as presas no escuro”, conta Thiago.

Apesar da boa adaptação em cativeiro, as corujas não são recomendadas para convívio com crianças, pois quando irritadas suas garras podem ferí-las. “As crianças podem também não entender que uma coruja é um pet com algumas diferenças de cães e gatos. Não é recomendado criar uma coruja juntamente com cães e gatos por inúmeros motivos, desde uma zoonose, até um ataque tanto da coruja ao cão, ou vice-versa, causando danos físicos a ambos”, Thiago.

As corujas são rapinantes, ou seja, caçam para se alimentar na natureza, o que significa que são carnívoros e possuem um manejo alimentar diferenciado das demais aves. Seus principais alimentos são pequenos mamíferos (como camundongos), pequenos répteis e até mesmo outras aves de menor porte. De acordo com Thiago quando criados em cativeiro a maioria dos exemplares são alimentados com camundongos abatidos ou mesmo vivos, conforme preferência de seus proprietários. “De 8 a 10 horas após a alimentação, elas regurgitam uma única pelota do material que não conseguiram digerir. Essa pelota, úmida e preta (chamada de cast ou pellet, em inglês) geralmente contém ossos, dentes, restos de carapaça de invertebrados, penas e pêlos. Também é comum a Tyto Alba nunca beber água, retirando todo o líquido que necessitam da carne que consomem, lembrando que é muito importante sempre servir camundongos inteiros, e não apenas pedaços de carne. O camundongo além de hidratar a ave, é uma ótima fonte de cálcio e vitaminas essenciais a sua sobrevivência.”

Acostumadas a voar muito, as corujas devem viver em recintos grandes, pois precisam sentir como se estivessem na natureza, praticando o vôo. “É importante haver galhos para a ave se empoleirar e uma toca para que o animal possa se esconder. Sua localização tem que ser sempre em um lugar arejado, mas com possibilidades de proteção quanto ao frio e chuva quando houver necessidade”, explica Thiago.

Outra questão importante quando se fala em corujas é a falcoaria, arte de criar, treinar e cuidar de falcões e outras aves rapaces para a caça. Esporte popular entre os nobres da Europa medieval e do Japão feudal, a falcoaria é importante caso você queira manter uma coruja solta em casa. “É necessário colocar a falcoaria em prática para que essa ave não venha a fugir ou atacar algo sem que seja sob um comando de seu proprietário. Com isso, a coruja pode ser criada livre em casa ou mesmo em um recinto com saídas periódicas”, avalia Thiago.

E para quem pretende criar uma ave, principalmente uma coruja, o médico veterinário Thiago aconselha: “Temos que pensar na responsabilidade que estamos adquirindo com a compra da ave. Ela será totalmente dependente de você, que terá que arcar com os custos de alimentação, recinto, cuidados veterinários, entre outros”.

Fontes:

Antonietta Ficucella – bióloga e gerente da Amazon Zoo, loja especializada em animais silvestres e exóticos
Tel.: 11 3045-1000 / www.amazonzoo.com.br

Thiago Rodrigo Salvador – médico Veterinário especializado em clinica médica e cirúrgica de animais silvestres e exóticos do Breeds Pet Shop
Tel.: 11 2219-2000 / www.breeds.com.br

Imagens: Divulgação – Breeds/Fonte: Revista Papo de Pet -ed05

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