

“No dia 24 de dezembro de 1997 por volta da meia noite o interfone tocou e ao abrir a porta lá estava o “presente”. Dentro de uma cesta de palha com fitas vermelhas o filhotinho todo branquinho de apenas 40 dias. Hoje o maltês Théo tem 11 anos”, relembra Rúbia Prado.
Na época com 15 anos, a adolescente Rúbia aprendeu na prática que aquele pequeno e fofo ser vivo era muito mais do que um emocionante presente de Natal. A partir daquele momento ele estava sob sua total responsabilidade que entre outras tarefas, incluí: muita dedicação, amor, carinho, cuidados com sua saúde, higiene e recursos financeiros para arcar com despesas médicas, alimentação, dentre outras exigências básicas para seu bem-estar e qualidade de vida.
“Eu não tinha noção das responsabilidades que estava para
enfrentar. Aprendi a cuidar, e me programar, pois diversas vezes tive que adiar viagens para não deixar o animalzinho sozinho. Algumas madrugadas no veterinário também foram surpresas que não estavam programadas. Qualquer trabalho, noite de sono perdida, passeio na chuva, não é o bastante para me arrepender de ter um ser tão carinhoso, companheiro e fiel ao meu lado. Uma motivação para chegar em casa. Um filho, com as alegrias e tristezas que podem render”, avalia Rúbia.
Escolher um pet como opção de presente em datas comemorativas como o Natal, não pode ser um ato impulsivo. O pet é um ser vivo que necessita de cuidados e atenção. Não é apenas um presente como outro qualquer. A responsabilidade é enorme. Alimentação, vacinas, passeios diários, atenção, carinho, são apenas alguns fatores que devem ser levados em consideração.
˝A pessoa que está ofertando esse presente pode e muito contribuir com quem recebe. Em primeiro lugar, verificar para que o animal seja um presente, uma 'dádiva' e não, um ônus, um 'problema'. É preciso saber se a pessoa que receberá deseja o animalzinho e terá condições de cuidá-lo. Essa é uma decisão que, as vezes, envolve mais pessoas que não somente o presenteado, mas aqueles que vivem com ele. Portanto, é uma decisão coletiva, uma responsabilidade conjunta˝, alerta o Dr. Eduardo Fava Schmidt, médico veterinário e diretor clínico do Hospital Veterinário Rebouças.
Segundo a Dra. Hannelore Fuchs, médica veterinária e psicóloga de cachorros, o arrependimento de quem adquiriu um animal de estimação ocorre porque o presenteado, muitas vezes pediu um animal, sem medir as conseqüências reais deste convívio.
Presente de Grego?
Para o pet não se tornar um ''presente de grego'', a médica veterinária e especialista em comportamento animal, Dra. Daniela Ramos, dá dicas de como avaliar previamente o presenteado e orientá-lo sobre suas novas atribuições:
• O presenteado está 100% certo de que quer adquirir um animal de estimação?
• Tem condições de ter e manter um animal de estimação em casa?
• Possui espaço físico adequado?
• Tem tempo para se dedicar ao animal?
• Possui condições financeiras para arcar com os custos de se ter um animal?
• Tem condições psicológicas para suprir a demanda deste animal (digo: reconhece que um animal tem suas necessidades físicas e também grandes exigências emocionais?)
• Tem empatia e interesse por animais de estimação e não somente apreciação pela sua beleza física?
• Só presenteie se a pessoa, de fato, estiver certa de que quer um animal de estimação;
• Faça a pessoa pensar a respeito de tudo o que está envolvido na propriedade e manutenção de um animal de estimação;
• Envolva a pessoa em todo o processo de seleção, aquisição e introdução do animal na família;
• Dê a chance da pessoa mudar de idéia no meio deste caminho. Pode ser que à medida que a pessoa conheça mais detalhes sobre o que significa, de fato, ter e manter um animal de estimação, ela desista. Não fique frustrado...é melhor isto a correr o risco de uma rejeição no futuro!
Após avaliar todas essas questões, para quem pretende pedir como presente de Natal ou adquirir por conta própria um animal de estimação, o Dr. Schmidt ainda indaga: ''Está preparado para se responsabilizar por a vida do pet, que poderá ser de até 20 anos? Na alegria e na tristeza? Na doença e na saúde? Amando-o e respeitando-o até que a morte os separe?
Fonte: Revista Papo de Pet – Ed.05
